Livro de artista Impressões (2010)

Vestígios da impressão (2010–2022)

Vestígios da impressão (2010–2022)

Este livro reúne uma experiência de investigação sobre a impressão como acontecimento e como registro. O trabalho parte do gesto de imprimir, mas também daquilo que permanece depois dele: marcas, acidentes, sobreposições e pequenas alterações produzidas durante o processo. Mais do que reunir imagens, Impressões registra um momento de experimentação em que a impressão começa a ser compreendida não apenas como resultado, mas como vestígio de uma ação.

Monotipias realizadas com a tinta remanescente das gravuras - 2010

Morro, 2010

Monotipias realizadas com a tinta remanescente das gravuras - 2010

Estas monotipias nasceram daquilo que normalmente seria descartado: a tinta que permanecia no vidro depois da impressão das gravuras. Em vez de limpar completamente a superfície, a tinta remanescente foi transferida para o papel, produzindo imagens únicas, impossíveis de serem repetidas exatamente da mesma maneira. As marcas revelam diferentes intensidades de presença e desaparecimento. Aqui, o que sobra de um trabalho torna-se matéria para outro. O resíduo deixa de ser resto e passa a ser imagem.

Campo aberto, 2010

Campo aberto, 2010

Campo aberto, Monotipia sobre papel, 2010

Porta aberta, 2010

Porta aberta, 2010

Porta aberta, Monotipia sobre papel, 2010

Cenas da paisagem, 2010

No caminho da floresta, 2010

No caminho da floresta I, Monotipia sobre papel filtro de café usado, 2010

Cenas da paisagem, 2010

No caminho da floresta II, Monotipia sobre papel filtro de café usado, 2010

No caminho da floresta, 2010

No caminho da floresta, Monotipia sobre papel filtro de café usado, 2010

Paisagem aberta, 2010

Paisagem aberta, 2010, Monotipia sobre papel filtro de café usado, 2010

Nesta etapa, o próprio suporte passa a carregar uma história antes mesmo de receber a imagem. Os filtros de café, utilizados e posteriormente incorporados ao processo de impressão, trazem consigo manchas, fibras, transparências e marcas produzidas pelo uso. A monotipia se estabelece então entre aquilo que já estava registrado no material e aquilo que surge pela ação do artista. Cada impressão preserva uma combinação particular entre matéria, gesto, acaso e transferência. O suporte deixa de ser neutro. Ele também passa a participar da construção da imagem.

Série E depois do café 2022

Montanha Cajamar, 2022

Série E depois do café - 2022

Paisagem Anhanguera km38, 2022

Paisagem Anhanguera km38, Nanquim sobre filtro de café usado, 2022

Paisagem Polvilho, 2022

Paisagem Polvilho, Nanquim sobre filtro de café usado, 2022

Paisagem predios no encosto da mantanha Polvilho, 2022

Paisagem predios no encosto da mantanha Polvilho, Nanquim sobre filtro de café usado, 2022

Em E depois do café, o vestígio deixa de aparecer apenas como registro de um processo e passa a participar da construção de uma imagem. O filtro, antes associado ao ato cotidiano de preparar o café, torna-se superfície, matéria e memória. As marcas acumuladas no papel começam a sugerir formas, atmosferas e paisagens. Aquilo que inicialmente era uma sobra de matéria transforma-se em campo de observação. A imagem não é inteiramente desenhada sobre o suporte. Ela emerge dele. E depois do café marca, assim, uma passagem importante: do vestígio da impressão para uma imagem construída a partir daquilo que já estava presente.